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Lado A, Lado B e a verdade que ninguém quer ver

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Promessas vazias, corrupção e polarização: direita e esquerda disputam o poder como times de futebol, e o povo paga a conta. Uma reflexão à luz da Bíblia, de Kardec e de Chico Xavier sobre o voto e a mudança que começa em nós.

Todos queremos uma vida melhor, mais justa e igualitária: uma casa decente, um carro, a possibilidade de criar os filhos com segurança, além das demais necessidades básicas para uma vida saudável. Trabalhamos para sustentar essas necessidades, mas a maioria de nós chega ao fim do mês apenas sobrevivendo, com o mínimo do necessário. E, a cada dois anos, o país repete o mesmo ritual: elegemos candidatos que dizem nos representar e prometem mudar uma realidade construída ao longo de décadas de enganação e de promessas vazias que nunca se cumprem.

Hoje vivemos uma polarização entre direita e esquerda. No entanto, o Brasil tem dezenas de partidos políticos, cada um com sua sigla e, em tese, formado por cidadãos unidos em torno de uma ideologia, de princípios filosóficos ou de um programa de governo, com o objetivo de conquistar e exercer o poder político. Na prática, o que se vê são legendas criadas com fins eleitoreiros, apoiadas em cálculos matemáticos para facilitar a eleição de candidatos escolhidos a dedo, pouco se importando com os objetivos descritos em seus próprios estatutos. Direita e esquerda acabam reduzidas a dois lados opostos, como dois times de futebol disputando o título da Copa do Brasil — e nós, na arquibancada, torcendo por quem quase nunca joga a nosso favor.

Para conquistar o seu voto, prometem tudo o que você quer ouvir, sem qualquer compromisso: o objetivo é chegar ao poder. Jesus já nos alertava sobre isso:

"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:15-16)

A esquerda se apoia em direitos trabalhistas — que não conquistou sozinha — e soma à sua campanha pautas de sexualidade, de gênero e discussões que confrontam a religião. A direita, explorando as fragilidades da esquerda, promete segurança e o direito de se defender com armas, já que o Estado nunca foi capaz de proteger a população. Mas o faz sem considerar a falta de princípios morais e de educação que ainda marca a nossa sociedade, nem os riscos do uso indevido das armas em situações corriqueiras, como discussões de trânsito e brigas entre vizinhos. Ambos os lados ignoram as consequências de suas políticas num país dominado pela impunidade e pela corrupção, onde criminosos saem pela porta da frente das delegacias enquanto policiais são presos por falta de amparo legal para cumprir o seu dever.

Nenhum dos lados demonstra preocupação legítima com a sociedade; o que se busca é o poder. Em época de eleição, a esquerda se apresenta como amiga de todas as religiões e crenças, e a direita faz o mesmo para não perder espaço. Cabe aqui outra advertência do Cristo:

"Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim." (Mateus 15:8)

Prometem até o impossível e, quando vencem, fazem o que querem e ainda debocham de nós. Infelizmente, teremos que escolher um dos lados: o menos pior.

A esquerda esteve à frente do governo federal por cerca de 17 dos últimos 24 anos (de 2003 a 2016 e novamente desde 2023), e o saldo que vejo é um país saqueado pela corrupção e uma política assistencial que distribui migalhas para aplacar a fome dos mais pobres, sem lhes oferecer um caminho de saída. O resultado é acomodação, conformismo e mais miséria: muitos permanecem dependentes de um auxílio insuficiente e completam o que falta pedindo nas portas de padarias, supermercados e restaurantes. Kardec já mostrava que esse não é o caminho de uma sociedade justa:

"Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente [...]. Uma sociedade que se baseia na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação." (O Livro dos Espíritos, questão 888)

A verdadeira caridade, portanto, não é a migalha que mantém alguém de mão estendida, mas a dignidade que lhe permite caminhar com as próprias pernas — afinal, como ensinam os Espíritos, o trabalho é lei da Natureza (O Livro dos Espíritos, questão 674).

Enquanto isso, quem trabalha para sustentar toda essa corrupção desenfreada já não consegue sair de casa sem ser abordado por pessoas em situação de rua ou por usuários de drogas, e não pode deixar os filhos saírem sem sérios riscos à sua integridade. A escolha será difícil, mas o brasileiro não pode ignorar que o país afundou numa crise moral e financeira nas últimas décadas. Roubar e enganar as pessoas não pode ser considerado aceitável. Não é aceitável a ideia de que o político que "rouba, mas faz" seja algo normal. O profeta já denunciava essa inversão de valores:

"Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas." (Isaías 5:20)

E o apóstolo apontava a raiz do problema: "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males" (1 Timóteo 6:10).

Precisamos ter a capacidade de enxergar quando estamos sendo manipulados por promessas que apenas encobrem a realidade, lembrando que "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32). E precisamos deixar de ser egoístas. Muitos apoiam um político apenas porque ele defende a pauta que lhes toca pessoalmente — a orientação sexual, uma bandeira de costumes, um benefício particular —, como se o interesse individual valesse mais do que o futuro de toda a nação. A polêmica sobre um casal se beijando num filme financiado pelo governo ganha mais espaço do que o debate sobre saúde, educação e segurança. Há quem vote mal e depois vá buscar em outros países as conquistas que aqueles povos levaram séculos para construir — e, ainda assim, continue sem enxergar a verdade diante dos olhos. Os Espíritos foram claros ao apontar a origem desse comportamento:

"Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical? — Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal." (O Livro dos Espíritos, questão 913)

Não há lado certo. Todos os lados têm maçãs podres, que estão ali para se aproveitar da nossa ignorância e se dar bem de alguma forma. Em ambos há quem se levante pela manhã e leia na porta da geladeira a mesma frase: "Como vou me dar bem hoje?". O resultado, para o povo, é sempre o mesmo:

"Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo suspira." (Provérbios 29:2)

E por que os maus ainda prevalecem? Kardec responde sem rodeios:

"Por fraqueza destes [dos bons]. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão." (O Livro dos Espíritos, questão 932)

Já conseguimos eliminar algumas maçãs podres, mas ainda há muitas a descartar. Será um processo longo e custoso, que exige nada menos do que a evolução moral humana — e isso não é nada simples, porque começa dentro de cada um de nós. O Espiritismo ensina que o verdadeiro progresso se reconhece pela transformação moral e pelo esforço em domar as próprias más inclinações (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4). Chico Xavier, na obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, atribuída ao Espírito Humberto de Campos, apresenta o Brasil como uma nação com a missão espiritual de viver e espalhar o Evangelho — um destino que nenhum governo cumprirá por nós, se o povo não o cumprir primeiro em sua própria conduta.

Desde Jesus Cristo até hoje não alcançamos esse patamar, mas ao menos o temos como modelo e guia nesta jornada terrena. Quando Kardec perguntou aos Espíritos qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo, a resposta foi uma só: "Jesus" (O Livro dos Espíritos, questão 625). Se o tivéssemos levado realmente a sério — a começar pelo "amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:39) —, estaríamos muito melhor hoje.

 

Nova Venécia, 18 de outubro de 2026.

 

Sigamos em paz,
Rafael Cremasco Lacerda

 


 

Referências

Bíblia Sagrada — tradução Almeida Corrigida Fiel (ACF), disponível em Bíblia Online:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos (1857). Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB. Questões 625, 674, 888, 913 e 932. Consulta por questão em Kardecpedia — por exemplo, a questão 625.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864). Cap. XVII — "Sede perfeitos", item 4 ("Os bons espíritas"). Rio de Janeiro: FEB. Consulta em Kardecpedia.

XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Humberto de Campos). Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (1938). Rio de Janeiro: FEB. Catálogo em febnet.org.br. Estudo acadêmico sobre a obra: revista Mneme, UFRN.