Todos Devemos uma Morte: Reflexões Sobre a Brevidade da Vida e a Imortalidade da Alma

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Todos Devemos uma Morte: Reflexões Sobre a Brevidade da Vida e a Imortalidade da Alma

Todos ignoramos o óbvio e inevitável: iremos morrer.

Todos Devemos uma Morte: Reflexões Sobre a Brevidade da Vida e a Imortalidade da Alma

Todos ignoramos o óbvio e inevitável: iremos morrer.

Há alguns dias ouvi uma frase no jogo Final Fantasy Tactics que dizia: "Todos devemos uma morte a Deus." Chega a ser cômico pensar dessa forma, mas acredito que esta seja a única dívida impossível de deixar de pagar.

Quando refletimos sobre a nossa própria morte, começamos a tomar decisões mais assertivas e felizes. Deixamos de olhar apenas para os aspectos financeiros e materiais e voltamos nossa atenção para aquilo que é mais sublime e importante na vida.

A existência torna-se mais leve quando compreendemos que tudo o que fazemos ficará no passado. Mais cedo ou mais tarde, tudo passa nesta experiência carnal. As alegrias, as dores, as conquistas, os fracassos, os títulos e os bens materiais acabam se tornando apenas lembranças.

Como ensina a Bíblia:

"Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio." (Salmos 90:12)

Hoje, aos 42 anos, já consigo relacionar uma extensa lista de amigos, familiares e até desconhecidos que partiram desta vida. Certamente possuíam sonhos, planos e ambições que ficaram inacabados. No entanto, o mundo não parou por causa disso.

Essa constatação pode parecer dura, mas é libertadora: somos todos substituíveis. Alguns, inclusive, já começam a ser substituídos por máquinas e sistemas de inteligência artificial. É provável que, em um futuro não tão distante, muitas atividades profissionais sejam executadas por máquinas, restando aos seres humanos funções cada vez mais voltadas à criatividade, à inteligência e à sensibilidade.

O belo está dando lugar ao simples e ao rápido. As pessoas estão cada vez mais ocupadas, focadas em metas e objetivos, numa busca incessante por vencer na vida, como se ela fosse um grande jogo em que somente o primeiro colocado tivesse valor.

Quando o homem esquece que irá morrer — ou ignora que a morte pode chegar no próximo segundo — deixa de reservar tempo para viver aquilo que já conquistou. Não encontra espaço para contemplar um pôr do sol, tomar uma xícara de café com alguém que ama ou simplesmente desfrutar da companhia das pessoas que realmente se importam com ele.

Rossandro Klinjey costuma afirmar que:

"A vida acontece enquanto estamos ocupados demais tentando controlá-la."

Talvez por isso tantas pessoas estejam sobrevivendo, mas poucas estejam realmente vivendo.

A morte, assim como a doença, faz parte dos mecanismos naturais da existência. Uma encerra a experiência física; a outra funciona como um sinal de alerta, indicando que algo precisa ser revisto e corrigido.

É como um sensor interno nos dizendo:

— Pare um instante. Há algo importante que precisa da sua atenção.

Saber que podemos morrer a qualquer momento nos leva a refletir se realmente precisamos trabalhar cinco anos para trocar de carro ou se podemos utilizar o veículo que já possuímos para visitar um amigo, conhecer um lugar novo ou viver experiências significativas.

A consciência da morte acelera aquilo que é verdadeiramente prioritário e reduz a importância das distrações.

Sim, distrações.

Passamos boa parte da vida criando obrigações, metas e preocupações desnecessárias que nos afastam daquilo que realmente importa.

Jesus ensinou:

"Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mateus 6:21)

Se considerarmos que a morte do corpo físico é apenas uma etapa da existência e que o princípio inteligente que anima o corpo é o espírito imortal, passaremos a enxergar a morte sob uma nova perspectiva.

Ela deixa de ser apenas um fim e passa a representar uma transição.

A Doutrina Espírita ensina que a vida continua além da matéria e que cada existência é uma oportunidade de aprendizado e aperfeiçoamento moral.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec afirma:

"A vida espiritual é a vida normal; a vida corporal é transitória e passageira."

Quando o espírito encontra-se em paz com a própria consciência, a morte deixa de ser um motivo de terror e passa a ser compreendida como um retorno natural à verdadeira pátria espiritual.

A imortalidade do espírito implica na continuidade da consciência. Levaremos conosco nossas virtudes, imperfeições, aprendizados e responsabilidades.

Por isso é tão importante compreender o sentido da vida.

Jesus declarou:

"O meu reino não é deste mundo." (João 18:36)

Ao afirmar isso, apontava para uma realidade que transcende a matéria e os interesses temporários.

Após algumas experiências pessoais que me permitiram perceber a existência da espiritualidade de forma mais concreta, compreendi que não basta desejar o mal ao inimigo ou alimentar sentimentos de vingança.

Tais atitudes apenas prolongam nossos próprios sofrimentos.

Como ensina Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier:

"Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Da mesma forma, Divaldo Pereira Franco frequentemente recorda:

"A paz é uma conquista interior."

Não podemos ignorar essas verdades se desejamos construir uma vida verdadeiramente próspera e feliz.

E quando falo em prosperidade, não me refiro apenas às conquistas materiais, mas principalmente ao crescimento moral e espiritual, pois tudo aquilo que acumulamos na Terra permanecerá aqui quando partirmos.

Como advertiu Jesus:

"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Marcos 8:36)

Sejamos honestos conosco mesmos: iremos partir deste plano e não sabemos quando.

Portanto, precisamos aproveitar o tempo que nos foi concedido para realizar o bem que nos cabe fazer.

Essa é uma tarefa que não pode ser delegada e nem adiada.

Fazendo o bem ao próximo, estamos fazendo o bem a nós mesmos.

Haroldo Dutra Dias ensina que:

"A verdadeira transformação do mundo começa na transformação de cada consciência."

Nada é mais salutar do que a prática do bem.

Que possamos viver de tal maneira que, quando a morte chegar — porque ela certamente chegará — possamos recebê-la sem arrependimentos, com a serenidade de quem procurou amar, aprender, perdoar e servir.

Afinal, todos devemos uma morte.

Mas também podemos construir uma vida que valha a pena ser lembrada.

 

Nova Venécia, 23 de junho de 2026.

Muita paz,
Rafael Cremasco Lacerda

 


 

Referências Bibliográficas

Bíblia Sagrada

  • Bíblia Sagrada

  • Bible Gateway - Salmos 90:12

  • Bible Gateway - Mateus 6:21

  • Bible Gateway - João 18:36

  • Bible Gateway - Marcos 8:36

Obras Espíritas

  • O Evangelho Segundo o Espiritismo

  • Federação Espírita Brasileira - O Evangelho Segundo o Espiritismo

  • Pão Nosso

  • Francisco Cândido Xavier

Autores Contemporâneos

  • Divaldo Pereira Franco

  • Haroldo Dutra Dias

  • Rossandro Klinjey

Obra Citada

  • Final Fantasy Tactics