Palmeiras não tem Mundial e Brasília não tem representante

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Palmeiras não tem Mundial e Brasília não tem representante

Entre o humor popular e a tragédia política, este texto reflete sobre a ignorância moral e a corrupção à luz da Espiritualidade, lembrando que a verdadeira revolução começa dentro de nós, pela reforma íntima e pela ação no bem.

1. O tempo e a miséria humana

O tempo passa: vidas se vão, outras nascem; impérios são dissolvidos em pó, enquanto outros se erguem em meio ao caos de possibilidades improváveis.
Em meio a tudo o que é efêmero, permanece a miséria humana — fruto da ignorância dos próprios sentimentos, sem controle e equilíbrio.
Tal ignorância não nos deixa perceber as armadilhas encobertas pelas cortinas de fumaça usadas para disfarçar a maldade humana.

A expressão “pão e circo” tem origem na Roma Antiga. Foi uma estratégia política implementada pelo imperador Otávio Augusto para controlar a plebe, distribuindo pão e organizando espetáculos públicos, como lutas de gladiadores e corridas de bigas.
O termo foi popularizado pelo poeta satírico Juvenal, por volta do ano 100 d.C., para criticar o governo que, segundo ele, mantinha o povo distraído e apático com entretenimento e comida, em vez de lidar com os problemas sociais e políticos.

Neste planeta chamado Terra, nada é eterno; tudo se transforma. Contudo, a ignorância persiste de forma atroz, alimentada pelos meios de comunicação corrompidos por um sistema ardilosamente implantado por mafiosos que sacrificariam a própria mão para salvar o braço que manipula todo o resto.
O povo, que sofre, é habilmente manipulado e alimentado por falsas esperanças, sobrevivendo um dia de cada vez e digladiando-se entre si para defender aqueles que o oprimem, sem perceber a verdade.

2. A inocência e o espelho da sociedade

A menção a “Palmeiras não tem Mundial” não foi por acaso.
Hoje, durante uma caminhada, passei por duas meninas de aproximadamente sete anos que jogavam bola na varanda de uma casa. Ao perceberem minha aproximação pela calçada, gritaram, sorrindo:

“Palmeiras não tem Mundial!”

Fiquei refletindo sobre aquele gesto pueril e me veio à mente o quanto nos permitimos permanecer na ignorância, repetindo padrões de outras pessoas equivocadas por mera observação e imitação.
Afinal, pouco importa para aquelas crianças se o Palmeiras tem ou não Mundial; porém, ao observarem o comportamento dos pais, certamente reproduziram aquele gesto por o considerarem divertido e importante para se socializar e não serem excluídas dos padrões comportamentais do grupo.

3. Falta de referências e o vazio moderno

Observo que estamos ficando sem referências positivas.
Cada vez mais as pessoas se espelham em outras vazias de conteúdo e se ocupam com distrações que nada contribuem para o crescimento próprio, perpetuando, assim, a ignorância.

Apesar da existência temporal da vida carnal, nossas consciências acabam sendo reproduzidas, de certa forma, por aqueles que nos seguem.
Devemos, portanto, ser exemplos para nossos filhos, amigos, colaboradores e todas as pessoas que, de alguma maneira, nos acompanham nesta jornada da vida.

Precisamos nos cercar de pessoas que, ao menos, tentem seguir os passos do nosso modelo e guia nesta Terra: Jesus de Nazaré.
Não há outro caminho para vencermos as tramas do inimigo dos homens de bem.
Elegemos pessoas, assim como nós, para nos representar, na esperança de termos um mundo melhor, justo e igualitário; no entanto, ao assumirem o poder transitório que lhes concedemos, voltam-se contra o povo e agem como monarcas impiedosos, fazendo-nos vassalos e quase escravos.

4. Fugas e ilusões

Em meio a tantos absurdos, buscamos fugas, entorpecendo-nos com remédios, drogas, jogos e esportes de todo tipo — inclusive arriscando a própria vida, numa espécie de suicídio inconsciente.
Ficamos inertes e sem reação diante dos problemas, fugindo deles ou os terceirizando a outrem.

Por muitos anos, em minha ignorância, acreditei que só conseguiríamos acabar com a injustiça e a miséria do mundo pela força — que bandidos deveriam ser mortos e extirpados.
Essa abordagem, infelizmente, já foi usada, e o que se vê hoje são criminosos no poder: pessoas sem compaixão, sem pudor e sem qualquer empatia pelo próximo.
Falam de amor com hipocrisia, enquanto deixam a nação na miséria e nas mãos de facções de diversas matizes.

5. Reflexões à luz de Kardec

Allan Kardec ensina que a pureza de coração é incompatível com a corrupção, e que, embora o mundo pareça dominado pelos maus, os bons prevalecerão:

“O homem de bem, que sofre a influência dos maus, deve lembrar-se de que Deus o colocou entre eles como prova de sua paciência e de sua fé.”
  (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VIII)

Não nos revoltemos com os corruptos; eles também estão em aprendizado.
Nosso papel é ser o contraponto moral, sem nos deixar contaminar.

Jesus, no Capítulo IX – “Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos”, ensina que:

“A calma e a resignação, hauridas na maneira de ver as coisas do alto, dão ao Espírito uma serenidade que o preserva das más paixões.”

A justiça divina é perfeita e infalível, mesmo quando a humana falha.
Kardec explica que os violentos, corruptos e cruéis acumulam débitos espirituais que cedo ou tarde terão de reparar.
Não se trata de ser conivente, mas de agir com retidão e sem ódio, confiando na justiça divina.

Ainda no Capítulo V – “Bem-aventurados os aflitos” (itens 7 a 12), encontramos:

“As decepções, as injustiças e a corrupção são provas para o Espírito que deseja progredir. Deus permite o contato com o mal para que o bem possa ser exercido.”

O sofrimento causado por ver o mal triunfando é prova de sensibilidade moral elevada.
O verdadeiro espírita transforma essa indignação em trabalho útil e moralizador, não em revolta.

Em O Livro dos Espíritos, nas questões 637 a 642, os Espíritos tratam da responsabilidade diante do mal.
Na questão 642, respondem:

“Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus?”
 Resposta: “Não; é preciso também fazer o bem no limite das forças, porque cada um responderá por todo o mal que tenha resultado do bem que deixou de fazer.”

Diante da corrupção e do crime, não basta apenas se indignar — é preciso agir com o bem possível, seja pelo exemplo moral, pela denúncia justa, pela educação ou pelo trabalho regenerador.

No Capítulo XXIV – “Não ponhais a candeia debaixo do alqueire”, o Evangelho ensina:

“O bem deve ser ativo; aquele que possui a luz deve levá-la aos outros.”

Jesus pede que os bons não se calem diante da injustiça, mas que sua resposta seja a luz — e não a violência.

6. Conclusão: a justiça divina não falha

A corrupção é um estágio de ignorância moral, não um destino.
Os maus são instrumentos da lei do progresso, e seus abusos servirão para despertar consciências.
O verdadeiro seguidor dos princípios divinos não se vinga nem se desespera, mas luta pelo bem, educa e confia na Justiça de Deus.


Nova Venécia, 8 de novembro de 2025.



Sigamos em paz,
Rafael Cremasco Lacerda