O Político Canalha e o Bem Comum

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O Político Canalha e o Bem Comum

Entre vaidades políticas e projetos sabotados, o bem comum se perde nos corredores do poder. Quando o ego fala mais alto que a consciência, quem paga a conta é o povo. À luz do Evangelho e da Doutrina Espírita, surge uma pergunta inevitável.

Posso iniciar este artigo citando diversos exemplos, mas mencionarei um fato próximo que me chamou muito a atenção recentemente. A sociedade organizou-se para criar um projeto destinado a melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras de fibromialgia. Como é natural em uma democracia, buscou-se o apoio dos representantes políticos, afinal, eles estão nos cargos públicos justamente para servir ao interesse coletivo. No entanto, alguns se posicionaram contra o projeto.

A razão não era a ausência de mérito da proposta, mas algo muito mais mesquinho: o jogo de vaidades. Para o político canalha, não basta que o bem seja feito; é preciso que o mérito seja atribuído exclusivamente a ele. Caso contrário, prefere impedir o avanço da iniciativa a permitir que outro receba o reconhecimento.

Esse comportamento revela uma triste realidade: muitos agentes públicos priorizam o próprio ego em detrimento do bem comum. Sabotam projetos, criam obstáculos e travam iniciativas que poderiam melhorar a vida da população. Falta-lhes compromisso moral com a sociedade.

A consequência disso é grave. Estamos pagando um preço alto por eleger pessoas moralmente pequenas para cargos que decidem o destino de milhões. Ao longo da história, líderes dominados pelo orgulho e pela ambição foram responsáveis por conflitos, guerras e sofrimento humano. Em muitos casos, enviaram pais de família para o front de batalhas motivadas por interesses de poder e riqueza.

A cada quatro anos o ciclo se repete. Surgem candidatos com discursos eloquentes e promessas grandiosas. Buscam votos, conquistam o poder e, muitas vezes, esquecem tudo o que disseram. Não raro, acabam aprovando medidas que oneram ainda mais a vida do trabalhador.

Qualquer cidadão razoavelmente informado sabe que muitos dos problemas sociais possuem soluções possíveis. O que falta não é conhecimento técnico, mas vontade moral. Em vez disso, vemos debates rasos, disputas de ego e discussões fúteis que pouco contribuem para o desenvolvimento real da sociedade.

Nesse cenário, torna-se evidente a necessidade de políticos verdadeiramente comprometidos com o bem comum: pessoas sérias, honestas e com caráter suficiente para reconhecer que o mérito de uma boa ideia não importa — o que importa é o benefício gerado para a sociedade.

Essa postura está em plena harmonia com os ensinamentos morais do Evangelho. Jesus ensinou:

“Quem quiser tornar-se grande entre vós, seja aquele que vos sirva.”
— (Bíblia, Mateus 20:26)

A liderança verdadeira não se manifesta pelo poder ou pela vaidade, mas pelo serviço ao próximo.

A Doutrina Espírita reforça esse princípio ao ensinar que a verdadeira superioridade é moral. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos:

“O verdadeiro homem de bem é o que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza.”

Se tais princípios fossem realmente compreendidos pelos homens públicos, veríamos governantes trabalhando incansavelmente para melhorar a vida da população. Estariam presentes nos hospitais verificando as necessidades da saúde pública, nas escolas observando as dificuldades dos professores, nas ruas avaliando o transporte coletivo e nos quartéis conhecendo os desafios enfrentados pelos profissionais de segurança.

A liderança baseada no exemplo é o caminho mais eficaz para compreender as necessidades reais do povo.

Além disso, a visão espiritual da vida traz uma perspectiva ainda mais profunda. Jesus afirmou:

“O meu reino não é deste mundo.”
— (Bíblia, João 18:36)

Essa declaração nos lembra que a existência material é transitória. O poder político, as posições sociais e a riqueza são temporários. O que permanece é o valor moral das ações praticadas.

A Doutrina Espírita amplia essa compreensão ao ensinar, em O Livro dos Espíritos, que:

“A verdadeira vida é a vida do Espírito.”

Se os homens públicos tivessem consciência dessa realidade, compreenderiam que cada ato praticado deixa consequências espirituais. Não existe anonimato moral no universo. Nossas ações são registradas na consciência e na lei divina.

Como ensina o apóstolo Paulo:

“Cada um colherá o que tiver semeado.”
— (Bíblia, Gálatas 6:7)

Portanto, antes de exigir mudanças apenas dos políticos, é necessário reconhecer também nossa própria responsabilidade. Somos nós que escolhemos os governantes. A omissão, o voto irresponsável ou a indiferença política contribuem para manter estruturas de poder que não representam os verdadeiros interesses da sociedade.

A política não deveria ser espaço para vaidade, perversidade ou ambição desmedida. Quando pessoas dominadas por orgulho e ego chegam ao poder, a história mostra que os resultados podem ser desastrosos. Líderes com traços autoritários ou narcisistas podem crescer politicamente e, quando não encontram limites, acabam causando sofrimento coletivo.

O caminho para evitar esses erros passa pela maturidade moral da sociedade e pela valorização de líderes verdadeiramente comprometidos com o serviço público.

Jesus de Nazaré deixou o maior exemplo de liderança que a humanidade já conheceu. Não governou com exércitos nem com leis humanas, mas com o poder do amor, da humildade e do serviço.

Seguir esse modelo talvez seja o maior desafio moral da humanidade.

 


 

Reflexão final

A política somente cumprirá sua verdadeira missão quando os homens compreenderem que governar não é dominar, mas servir — e que o poder, quando não é guiado pela consciência moral, transforma-se rapidamente em instrumento de destruição.

 

Nova Venécia, 12 de março de 2026.

 

Muita paz,
Rafael Cremasco Lacerda

 

 


 

Referências

Bíblia Sagrada

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec